Entenda que carne bovina, para quem entende do assunto, são os cortes do boi. Tudo que derive disso serão subprodutos, também saborosos e muito procurados, bastante nutritivos, mas não estaremos falando mais de peças de carne.
E quais são estes subprodutos, estes derivados? São as “entranhas” como dizem os argentinos, ou os “miúdos”, como falavam nossos avós. O mais degustado é o fígado que dá origem a um excelente bife, mas também há o rabo, o miolo (cérebro), o bucho e o coração. Para cada um destes miúdos há pratos e receitas específicos e muitos apreciadores.
Há também os subprodutos indústrias da carne, que são os resíduos do processo de abate do animal e são também explorados economicamente, porque nutritivos e em alguns casos saborosos. Farinhas de carne, ossos, penas, vísceras e até sangue são bastante consumidos, porque fontes de proteínas e vitaminas.
Mas também há subprodutos que não são comestíveis, mas ainda assim são vendidos e utilizados pelo homem: peles, lãs, pelos, penas, cerdas, chifres cascos dão origem a peças do vestuário, pentes, couros e outros materiais bastante consumidos pelo mundo a fora.
Estes subprodutos são tão importantes que costumam influenciar o preço da arroba do boi e nos Estados Unidos se chamam “fifthquarter”. Leite, queijo, embutidos à base de carne bovina, vendem tanto quanto os cortes em específico e movimentam o setor de alimentos ligados à pecuária e ao agronegócio. Como se dizia antigamente, do boi não se perde nem o berro – os berrantes utilizados por boiadeiros e vendidos em lojas de produtos rurais que o digam.
No Brasil, 65 kg de cada boi abatido resultam em resíduos cárneos, que é o nome que se dá ao derivado do boi que também é comercializado. É relevante na valorização do produto e na exploração econômica do animal abatido. Os ossos e as aparas bovinas servem para produzir farinha e gordura, utilizados na fabricação de ração animal. O sebo de boi também gera gordura que é utilizada nas indústrias químicas, na composição de produtos de higiene e limpeza, vernizes, lubrificantes (estearina) e na indústria farmacêutica, para produção de glicerina. Até o couro e os ossos do bovino produzem colágenos e gelatinas!
